09 fevereiro 2007

serei eu mais charlatona que todas as outras luas?

Charlatão vivia num mundo de manhas. Não sabia o que eram sentimentos nem verdades. Não tinha como perceber os desentendimentos da vida.
Padecia de uma forte solidão enquanto rodeado de pequenas multidões inventadas. Enganava-se mentindo sobre todas as existências que conhecia, acrescentando pontos e vírgulas a histórias já de si mirabolantes. Nada conhecia para além do pequeno quadrado em que sempre vivera.
De cores garridas revestia a sua ausência de vida e vivia nos dias célere com medo da morte.
Perdeu-se uma vez no centro das suas esquinas e nunca mais encontrou o parafuso que lhe dava discernimento.
Bebia demais, zurrava demais, destruía-se demais. Num consumo frenético de prazeres que não tinha.

... porque todos acordamos charlatões para a vida...
... porque, duma forma ou doutra, nao dizemos no instante aquilo que se pensa...
... porque nos despimos poucas vezes...
... porque existe o medo da crueldade dos sentimentos e das palavras...
... porque nao pedimos um abraço na altura devida...
... porque nao sentimos o fino toque da areia ao caminhar por ai...
porquê?
por medo...
... de atirar, de atingir, de sofrer, de sorrir

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