28 setembro 2005

rótulos (vamos categorizar para tornar o texto mais legível)

caro sr. anonymous.. obrigada por ter reparado no erro.. de facto, aquele título não pertence àquele texto..
interessante é notar como nós tendemos a tudo rotular, categorizar, descrever.. e quando os rótulos não são minimamente adequados, as pessoas estranham.. é uma necessidade que vem do mais dentro de nós.. rotular e tentar ter precisão ao fazê-lo.. mas isso raras vezes acontece..

19 setembro 2005

foi-se o título..

num estranho movimento de olhares
numa singela troca de silêncios
conheço-te pouco, descubro-te pouco
tenho medo, ansiando mais..
nas noites caladas da vida, olho para ti.
não te vejo, não te sinto
quero algo perto, poder dizer tudo,
"desejando que em perfeição, tudo se unisse".
vives para lá, para outros,
ainda que perto de mim.
não o sabes, não to direi.
quando as circunstâncias têm que se manter,
quando as sensações têm que se retrair,
onde os corpos nunca se juntam,
onde a alma mais deseja,
sabendo ser impossível...
lá estou eu. penso em ti.
se as palavras magoam,
silêncios podem matar.
arrastos lânguidos. aceitação.
contentamento em saber que existe,
que vai sendo feliz.
sozinha, penso em ti.
e tu, nunca o saberás.

08 setembro 2005

"Carrego em mim uma palavra imensa. É uma palavra avassaladora, uma palavra devastadora. É uma palavra que não sei pronunciar. É uma palavra para ti. Entre nós fica o silêncio que essa palavra não consegue transpor. Vivemos nesse silêncio, um espaço contido e vazio, o imensurável árido em que duas pessoas não conseguem falar. E nem eu precisaria que falasses, bastaria que ouvisses esta palavra que te quero dizer. Bastaria essa única palavra erguer-se singular na minha voz, atravessar o silêncio, escoar-se na treva funda dos teus ouvidos..."

by Carlos Geadas,
falando de Silêncio para a revista CAIS